Oferecimento:
logo
Divulgação
Example news

Opinião

12/07/2022

As ilusões perdidas na corrida presidencial

Não é de hoje que vemos alertas sobre riscos de termos uma campanha eleitoral violenta. Alertas justificáveis por fatos que conduzem a riscos cada vez mais palpáveis. São crescentes, por exemplo, os questionamentos, em sua imensa maioria infudados, sobre a segurança da votação eletrônica. Mais recentemente, extremistas passaram a inovar na balbúrdia, chegando a utilizar drones para lançar fezes e substâncias venenosas sobre quem tem opção política diferente da sua.

E olha que, pelo rigor do calendário oficial, a campanha ainda nem começou. Mas eis que as paixões partidárias com vistas ao pleito de outubro já produzem vítimas fatais. Como aconteceu neste fim de semana em Foz do Iguaçu (PR), onde o guarda municipal Marcelo Arruda, eleitor do ex-presidente Lula, teve sua festa de aniversário invadida pelo agente penal José da Rocha Guaranho, seguidor do presidente Jair Bolsonaro, e os dois trocaram tiros que resultaram na morte do primeiro e no internamento hospitalar do segundo (cujas notícias relatavam, até o fechamento desta coluna, o seu estado grave). 

Além de gravíssimo, o episódio é simbólico por vários motivos. Por anteceder a largada para valer da campanha que já se prenuncia radical muito acima do aceitável. O fato ilustra, principalmente, a falta do limite que não vem sendo obedecido por nossas principais lideranças políticas que, cada um a seu modo e com intensidade variada, estimulam o conflito exacerbado entre seus militantes. Não é o caso de apontar o dedo para um outro nome, mas sobretudo para os dois que há muito tempo polarizam a disputa pela Presidência e utilizam-se dessa prática, sejam por suas próprias vozes ou por seu entorno. 

Para aumentar o quadro de depreciação cívica que o Brasil vive atualmente, é preciso ser claro e honesto com o leitor, para que ele não tenha ilusões: não vai parar pela tragédia de Foz de Iguaçu. Ao menos, não na postura dos dois favoritos na corrida presidencial. É ilusão pura esperar que ambos (e seus círculos próximos) cessem os ataques mútuos e contaminem suas respectivas miltâncias com o sentimento bélico. Não se trata aqui de exercício de futurologia ou algum pendão da coluna para a vidência. Antes fosse, porque as chances de errar seriam mais signficativas. 

A previsão é lógica e se dá porque os dois extremos que os brasileiros posicionaram para decidir o futuro do país se retroalimentam desse cenários. Estamos condenados a passar por eles, ao menos até o fim do ano — e dependendo ainda do resultado das urnas e da postura de quem vier a ser derrotado.

Aos eleitores, cabe um papel fundamental nesse processo: agir de maneira mais crítica, mais ativa e, para os mais extremistas, jogar fora a venda que os cegam para cobrar severamente seus candidatos, a fim de que adotem uma linha mais responsável para com o país e seus cidadãos. Agindo assim, prestarão uma enorme contribuição. Ao Brasil e ao seu sistema democrático. E à própria pele. Reclamar depois será tardio. E, por isso mesmo, inútil.

É fato!

PS: A convite de Diógenes Dantas, assumimos com alegria e senso de responsabilidade a tarefa de contribuir com o Dido a partir de hoje (e sempre às terças e quintas) para compartilhar informações e reflexões sobre Natal, o RN e o Brasil. Vamos juntos e também com a sua contribuição, leitor. 

Videocast

Podcast