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Opinião

23/08/2022

“A fome com a vontade de comer”: todos querem Brasília

Uma das principais características da eleição deste ano é o crescimento exponencial dos candidatos a deputado federal. É um cenário que se repete em todo o país.

No Rio Grande do Norte, não é diferente. Comparado com 2018, o número de potiguares que pleiteiam uma das oito cadeiras a que o Estado tem direito na Câmara dos Deputados aumentou em 50%. São 182 candidatos potiguares neste ano, contra 121 quatro anos atrás. 

A disputa no Estado é a segunda mais concorrida no Brasil. Para se eleger, cada deputado potiguar precisará derrotar em média 23 concorrentes. Proporção igual à do Rio de Janeiro e menor apenas que a do Distrito Federal, onde se elegerá um a cada 25 candidatos.

Proporcionalmente, o aumento no Rio Grande do Norte representa mais que o dobro do registrado em todo o país. Em escala nacional, a quantidade de candidatos a deputado federal cresceu 20%. Os registros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) comprovam que o número de candidatos a deputado federal em 2022 é o maior contabilizado desde 1994. Um recorde, portanto, das eleições nos últimos 28 anos. 

Como em política nada acontece por coincidência, há boas explicações para o maior interesse verificado neste ano sobre os cobiçados mandatos na Câmara. Uma delas reside na legislação eleitoral vigente e que não permite mais a coligação de partidos, como acontecia em 2018. 

Atualmente, as legendas não podem mais se coligar eleitoralmente. No máximo, podem unir-se a outros em sistema de federação, um outro formato de aliança que, diferentemente do modelo anterior, é válido por quatro anos e não apenas para o período eleitoral. Isto obriga as siglas, inclusive, a atuarem conjuntamente na legislatura e em todo o país. O que desestimula os acordos de conveniência tão comuns em pleitos passados.

Outra explicação está nas fontes de financiamento dos partidos. Os não menos almejados fundos partidário e eleitoral. A lógica é simples: quanto maior a bancada que possuir na Câmara dos Deputados, o partido recebe mais recursos. Terá mais dinheiro em caixa, para usar uma linguagem mais direta. A consequência é que os partidos, de forma geral, passaram a investir mais nas estratégias para a eleição de deputado federal que nas chapas majoritárias, como acontecia antes. Em termos financeiros, hoje vale mais para os partidos eleger parlamentares que governadores. Descontadas, por óbvio, algumas realidades regionais.

Ou seja, vivemos no quadro eleitoral de 2022 a lógica popular da “fome com a vontade de comer”. Fome diante da necessidade dos partidos de terem na Câmara a representatividade que os permitam sobreviver politicamente e a vontade de “comer” (no sentido de utilizar, sem analogias maldosas) mais recursos.

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